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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Com UTI's cheias, aulas presenciais seguem suspensas na Bahia

Governador se reuniu com prefeitos e secretários e disse que não é a hora da retomada
“Ainda não é a hora de retornar às aulas presenciais”. Mesmo lamentando a decisão, esse foi o posicionamento do governador Rui Costa após reunião por videoconferência com membros da União dos Municípios da Bahia (UPB), prefeitos, técnicos das secretarias estaduais da Educação e da Saúde (Sesab) e outras autoridades. A reunião aconteceu nesta quinta-feira (11) para discutir os critérios de volta às atividades presenciais nas escolas de todo o estado.

A reunião deu continuidade a duas outras que foram realizadas nos dias 5 e 8 de fevereiro, nas quais ficou previsto que o retorno acontecerá seguindo um modelo híbrido: as turmas serão divididas em 50%, com aulas em dias alternados. No dia em que o estudante não estiver na escola, ele terá material pedagógico digital e impresso para utilizar em casa.

Rui Costa voltou a defender que as taxas de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e de mortalidade pela covid-19 serão determinantes para a escolha de um momento para o reinício das atividades escolares.

Entre pais e estudantes da rede pública estadual, a opinião sobre o retorno ou não das atividades presenciais é dividida. Aluno do colégio Manoel Vitorino, Arthur Santos, 17, diz que a rotina de estudos em formato remoto é complicada e que sente falta de ir à escola, ter contato com colegas, amigos e professores. Mas, ao mesmo tempo, teme que um retorno no momento atual acarrete situações como as que são registradas em São Paulo, onde 11 escolas públicas paralisaram as atividades temporariamente menos de uma semana após o retorno presencial porque havia focos de covid-19 nas unidades.

Pelo lado dos pais, a empregada doméstica Maria Sousa, 40 anos, aponta que é a favor do retorno porque seu filho de 12 anos, João Pedro, enfrenta dificuldades com o ensino remoto. "O rendimento dele caiu, ele não se sente bem, tem aprendido menos. Acho que com a volta do presencial ele conseguiria se sair melhor. A gente já vê tudo abrindo, gente na rua, com os protocolos dá para colocar pelo menos algumas vezes com os professores", afirma.

Uma nova reunião será marcada na próxima semana com representantes do Ministério Público Estadual (MPE), da Defensoria Pública e do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) para apresentar os dados que já foram discutidos.

Ameaça de greve
Os educadores não são a favor do retorno. É o que garante o presidente do Sindicato dos Professores da Bahia (APLB), Rui Oliveira. De acordo com Oliveira, uma pesquisa interna feita com mais de 1.300 educadores de todo o estado apontou que 97% dos professores é contra o retorno das aulas presenciais. O motivo? preservar vidas.

"Toda semana morre um educador. É preciso pensar que mesmo num modelo híbrido teremos alunos circulando em ônibus, em contato uns com os outros e aumenta a chance de transmissão do vírus", explica o Rui Oliveira.

O sindicato é taxativo: numa hipotética liberação antes de vacinar trabalhadores da Educação e estudantes, a ordem é de realizar greve. "Estamos mais perto do fim do túnel do que imaginamos. Nós queremos trabalhar. É o que mais queremos. Tem sido muito difícil para nós essa adaptação e falta de contato, mas o que precisamos é priorizar as vidas humanas", explica.

De forma remota, as aulas na rede municipal de Salvador serão retomadas no próximo dia 18, afirmou o secretário de educação da capital, Marcelo Oliveira. Para compensar os dias perdidos em 2020, os alunos terão atividades de segunda à sábado. Inicialmente, a modalidade de ensino será a remota, pela televisão. A fim de atender todos os 163 mil estudantes da rede, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) ampliará para quatro ou cinco canais de TV. Atualmente, somente os alunos do 6º ao 9º ano têm acesso às aulas pela TV aberta, no canal 4.2.

Rede Privada
Na rede privada de ensino, algumas escolas de Salvador e da Região Metropolitana retornam as aulas a partir da próxima semana, mas por enquanto também somente em modelo virtual. Em outras, as atividades online já começaram desde o dia 08.

Sem um protocolo oficial para a retomada presencial ou híbrida, o Grupo de Valorização da Educação (GVE), que representa 60 escolas, estabeleceu as próprias regras sanitárias, com a ajuda de equipe médica coordenada pelos infectologistas Roberto Badaró e Adriano Oliveira. O grupo também entrou na Justiça contra o governo do Estado e uma decisão, do dia 05, determina o reinício até 01 de março.

Segundo Viviane Brito, CEO do Villa Global Education, a unidade de ensino está pronta desde maio e quase todas as instituições já adaptaram os seus espaços para o retorno dos estudantes, professores e funcionários. Algumas escolas farão a testagem dos profissionais, como é o caso da Villa Global Education, que tem um quadro de 330 trabalhadores.

O porta-voz do GVE, Wilson Abdon, que é diretor do Colégio Perfil, pontua que a demanda das famílias para que haja esse retorno presencial cresceu bastante nos últimos meses.

“Em junho, quando fizemos a primeira pesquisa, a intenção das famílias que não queriam retornar porque não se sentiam seguras era em torno de 75%, 80%. Ou seja, só 20% queria o retorno naquele período. Hoje esse número está em 50%. Metade quer e a outra metade não quer. Por isso que o retorno será facultativo e feito com segurança. Queremos que as autoridades entendam e possam ter autorização para o retorno”.
(Correio*)

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